Emergentes, mas limpinhos
Um dos tópicos mais quentes da reunião da convenção do clima, que reuniu representantes de dezenas de países em Lima na semana passada, foi a divisão de tarefas entre ricos e pobres. Essa tem sido uma das principais controvérsias nas negociações de um acordo internacional para enfrentar as mudanças climáticas. O aquecimento do planeta é provocado pela emissão de gases, como o carbônico e o metano, emitidos pela queima de combustíveis fósseis de carros e termelétricas, por esgotos e pela destruição de florestas. Reduzir essas emissões poderá trazer ganhos a longo prazo, mas, em alguns casos, gera constrangimentos econômicos no presente.
O Brasil introduziu na negociação do Protocolo de Kyoto, nos anos 1990, o princípio da responsabilidade comum, mas diferente dos países. Por esse princípio, os maiores sacrifícios devem caber aos países ricos, que emitiram, por mais de um século, gases poluentes (eles continuam na atmosfera até hoje). As nações pobres e emergentes deveriam contar com uma cota de poluição reservada a sua trajetória de crescimento. Na última década, o peso poluidor dos emergentes cresceu. A China tornou-se a economia que mais contribuiu para o aquecimento global, por causa de suas usinas de carvão. Neste ano, as emissões per capita chinesas ultrapassaram as da União Europeia. As da Índia deverão ultrapassar em 2019.
Se as emissões globais continuarem a crescer, o clima provocará mais tragédias, como secas e furacões. Para todos, principalmente para os países mais vulneráveis. O Brasil tende a se alinhar com os outros países emergentes. De um ponto de vista estratégico, seria mais interessante estabelecer metas rigorosas de reduções de emissões para todos. Graças a nossa produção hidroelétrica e ao programa etanol, o Brasil tem uma das menores emissões de gases per capita do mundo. Se todos os países fossem obrigados a se ajustar, ganharíamos investimentos industriais e teríamos uma economia mais competitiva internacionalmente.
Época, 15 de dezembro de 2014, p.11.
O aquecimento do planeta é provocado pela emissão de gases, como o carbônico e o metano, emitidos pela queima de combustíveis fósseis de carros e termelétricas, por esgotos e pela destruição de florestas.
O trecho acima caracteriza-se como uma