O poema abaixo é de Orestes Barbosa e foi musicado por Francisco Alves na década de 30:
A MULHER QUE FICOU NA TAÇA
Fugindo da nostalgia,
Vou procurar alegria
Na ilusão dos cabarés.
Sinto beijos no meu rosto
E bebo, por meu desgosto,
Relembrando o que tu és.
E, quando, bebendo, espio
Uma taça que esvazio,
Vejo uma visão qualquer.
Não distingo bem o vulto,
Mas deve ser do meu culto
O vulto dessa mulher...
Quanto mais ponho bebida,
Mais a sombra colorida
Aparece ao meu olhar,
Aumentando o sofrimento
No cristal em que, sedento,
Quero a paixão sufocar.
E, no anseio da desgraça,
Encho mais a minha taça
Para afogar a visão.
Quanto mais bebida eu ponho,
Mais cresce a mulher no sonho,
Na taça e no coração.
(Orestes Barbosa)
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