O homem é moderno na medida das senhas de que ele é escravo para ter acesso à vida. Não é mais o senhor de seu direito constitucional de ir-e-vir. A senha é a senhora absoluta. Sem senha, você fica sem seu próprio dinheiro ou até sem a vida.
No cofre do hotel, são quatro algarismos; no seu home bank, seis; mas para trabalhar no computador da empresa, você tem que digitar oito vezes, letras e algarismos. A porta do meu carro tem senha; o alarme do seu, também. Cada um de nossos cartões tem senha.
Se for sensato, você percebe que sua memória não pode ser ocupada com tanta baboseira inútil. Seus neurônios precisam ter finalidade nobre. Têm que guardar, sim, os bons momentos da vida. Então, desesperado, você descarrega tudo na sua agenda eletrônica, num lugar secreto que só senha abre. Agora só falta descobrir em que lugar secreto você vai guardar a senha do lugar secreto que guarda as senhas.
(Alexandre Garcia, Abre-te sésamo, com adaptações)
Julgue os itens a respeito das idéias do texto.
I. Depreende-se do texto que o autor se coloca na posição de quem se exclui da sociedade informatizada.
II. O texto argumenta contra a modernidade, propondo como idéia principal que um direito constitucional, ora desrespeitado, deve ser o ideal a almejar.
III. Depreende-se do texto que comportamentos sensatos poupam a memória para finalidades mais nobres e evitam qualquer procedimento ligado à informatização.
IV. O segundo parágrafo constitui-se apenas de exemplos e ilustrações que explicam e justificam a última oração do parágrafo anterior, sem ampliar a reflexão.
Assinale a opção correta.