A ética hoje
Logo no início de seu difícil livro Minima Moralia, Theodor Adorno (1903-1969) chama a atenção para o fato de que hoje a ética foi reduzida a algo de privado. Já o jovem Marx, no início dos anos 40 do século passado, observava o mesmo a respeito da religião. Ora, nos tempos da grande filosofia, a justiça e todas as demais virtudes éticas referiam-se ao universal (no caso, ao povo ou à polis), eram virtudes políticas, sociais. Em uma formulação de grande filosofia, se poderia dizer que o lema máximo da ética é o bem comum. E se hoje a ética ficou reduzida ao particular, ao privado, isto é um mau sinal.
Um mérito definitivo do pensamento de Kant é ter colocado a consciência moral do indivíduo no centro de toda a preocupação moral. Afinal de contas, o dever ético apela sempre para o indivíduo, ainda que este nunca possa ser considerado como uma espécie de Robinson Crusoé, como se vivesse sozinho no mundo.
Procurando superar o ponto de vista kantiano, que chama de moralista, Hegel insistiu em outra esfera, que chamou de esfera da eticidade ou da vida ética. Nessa esfera, a liberdade se realiza eticamente dentro das instituições históricas e sociais, tais como a família, a sociedade civil e o Estado. Hegel não teme afirmar que “o Estado é a realidade efetiva da ideia ética”. Não há dúvidas de que a exposição de Hegel tenha pelo menos o mérito de localizar onde se encontram os problemas éticos.
Assim, hoje em dia, os grandes problemas éticos se encontram nestes três momentos da eticidade (família, sociedade civil e Estado), e uma ética concreta não pode ignorá-los.
Álvaro L. M. Valls. O que é Ética. Coleção Primeiros Passos, n.º 177. Editora Brasiliense: 1994, p. 70/71 (com adaptações).
Com base no texto, julgue os itens subsequentes em relação à ética, à moral, a princípios e valores éticos e à cidadania.
O cidadão é aquele que, na posse de plena capacidade civil, se encontra investido no uso e gozo de seus direitos políticos.