I.
Ainda que tivesse dedicado a vida à causa da independência, percorrendo vastas extensões da América do Sul e perdendo saúde e fortuna pessoal, Bolívar morreu no exílio, em Santa Maria, criticado e desprezado por seus antigos aliados. Porém, na década de 1840, quando o país vivia um período de intensas lutas políticas que ameaçavam sua coesão interna, as visões sobre Simón Bolívar sofreram alterações radicais que o conduziram da posição de traidor da pátria ao altar dos heróis consolidadores da unidade nacional.
II.
Logo após a independência, havia controvérsias sobre quem deveria ser apontado como herói da emancipação. Os conservadores, particularmente, difundiram uma visão negativa dos padres Miguel Hidalgo e José Maria Morelos. A Igreja – que durante a guerra de independência excomungou Hidalgo e Morelos – continuou a pintar Hidalgo como um demônio que enganara o povo crente. Com a derrota da Igreja frente aos liberais em 1867, no panteão dos heróis nacionais passou a haver lugar para todos, desde Hidalgo e Morelos, os líderes populares, até José de Iturbide, o artífice conservador da independência.
(Maria Lígia Coelho Prado, América Latina no Século XIX: Tramas, Telas e Textos. Adaptado)
Os textos I e II, respectivamente, apresentam