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Considere atentamente a crônica a seguir, escrita por
Rachel de Queiroz, para responder a próxima questão.
“Mais um filme italiano que conquista o coração da plateia brasileira, esse despretensioso e lírico ‘Viver em
paz’. A história da aldeia humilde, agasalhada num pico
de morro, sem eletricidade, sem progresso, sem automóveis, que só pedia aos outros o direito de continuar
vivendo na sua calma secular e na sua secular pobreza. Viver em paz: talvez seja esse o mais belo título que
possa hoje ocorrer a quem batiza uma obra de arte.
No meio da guerra, do medo e da miséria, viver em
paz. No meio da discórdia, do desentendimento e da
fraude, viver em paz. Outras idades sonharam glória,
técnica e riqueza; conforto, poder, ciência. Mas a nossa
idade apenas sonha com paz. Dentro dos apartamentos minúsculos da grande cidade, o direito de acordar
cedo, tomar sua condução, procurar o seu trabalho e
dar conta dele, e ao fim do dia voltar sossegadamente
para casa, a fim de comer e repousar: isso é paz. No
campo, plantar sua raiz de mandioca, colhê-la, transformá-la em farinha; ver nascer o cordeiro, e depois vê-
-lo crescer, curá-lo de doenças, tosquiá-lo da sua lã e
vender essa lã; possuir alguns palmos de terra a que
chame sua, e a ela escravizar-se, ou deixá-la folgar e
folgar com a terra, não lhe pedindo mais que o abrigo e
a água: e assim viver em paz. Direito de nascer, direito
de ser menino, de ficar homem, e amar e gerar filhos,
direito de morrer no meio dos filhos e netos, com os
cabelos brancos e a pele engelhada, aceitando o fim,
porque é chegada realmente a hora do fim; morrer na
obscuridade e na pobreza ― mas morrer como viveu:
em paz. Este o sonho do mundo de hoje. Dão-lhe tudo:
máquinas como nunca houve, progresso jamais sonhado, oportunidades de glória que fariam empalidecer de
inveja qualquer herói de Homero; riqueza, poder, mulheres, lutas políticas, ciência, arte, tudo está ao seu alcance, é só estender a mão. Porém os moços não pensam mais em glória nem em heroísmos; o que desejam
é fugir do sangue derramado, o que querem é dar um
princípio e um fim humanos a suas vidas mutiladas”.
(Viver em paz, por Rachel de Queiroz, com adaptações).
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