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Em termos de inconsciente coletivo, o policial exerce função educativa arquetípica: deve ser “o mocinho”, com procedimentos e atitudes coerentes com a “firmeza moralmente reta”, oposta radicalmente aos desvios perversos do outro arquétipo que se contrapõe: o bandido.
Ao olhar para uns e outros, é preciso que a sociedade perceba claramente as diferenças metodológicas, ou a “confusão arquetípica” intensificará sua crise de moralidade, incrementando a ciranda da violência. Isso significa que a violência policial é geradora de mais violência, , mui comumente, o próprio policial torna-se a vítima.
Ao policial não cabe, pois, ser cruel com os cruéis, vingativo contra os antissociais, hediondo com os hediondos. [...]. Não se ensina a respeitar desrespeitando, não se pode educar para preservar a vida matando, não importa quem seja. O policial jamais pode esquecer que também observa o inconsciente coletivo.
[...] Essa dimensão “testemunhal”, exemplar, pedagógica, que o policial carrega irrecusavelmente é, possivelmente, mais marcante na vida da população do que a própria intervenção do educador por ofício, o professor.
Esse fenômeno ocorre devido gravidade do momento em que normalmente o policial encontra o cidadão. polícia recorrese, como regra, em horas de fragilidade emocional, que deixam os indivíduos ou a comunidade fortemente “abertos” ao impacto psicológico e moral da ação realizada.
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Fonte: BALESTRERI, Ricardo. Direitos Humanos: coisa de Polícia - Treze reflexões sobre polícia e direitos humanos. Disponível em: https://www.acadepol.ms.gov.br/artigos/direitoshumanos- coisa-de-policia/. Acesso em: 5 dez. 2021. Fragmento com supressões e adaptações. Grifos nossos.
Considerando as relações de regência, o uso (presença ou ausência) do “acento” indicativo de crase e o emprego de pronomes relativos, assinale a alternativa que preenche corretamente as cinco lacunas do texto: