Quando o filho vira pai
A sogra de um amigo começou a ter pequenos lapsos de memória. Em seis meses, sua condição decaiu bastante. Não se lembra de fatos corriqueiros. E com frequência diz verdades que a família preferia silenciar. Meu amigo me perguntou o que fazer.
Eu respondi que deveria cuidar dela. Ele se espantou, dizendo que não iria suportar.
Fui educado por meus pais. Gostaria de ter tido mais dinheiro, quando eles eram vivos, para lhes oferecer uma condição melhor. Ou confortos que não chegaram a ter. Mas eu e meus irmãos conseguimos apenas o necessário: um bom plano de saúde e uma ajuda financeira para complementar a minguada aposentadoria deles. Quando criança, eu precisava do apoio de meus pais. Quando envelheceram, precisaram do meu. Para todos nós é assim.
Observo que muitos conhecidos meus não aceitam a fragilidade dos pais. Ou põem em primeiro lugar seus próprios desejos. Concordo que, na velhice, muitos se tornam mais difíceis.
Ranzinzas. Mais solitários. Reclamam mais. Mas quando eu era bebê, não gritava pedindo para mamar? Não atormentava meus pais de noite?
Pergunto-me: como sentir-se bem se a mãe ou o pai está sozinho em algum lugar, com dificuldades? Entre a ida ao shopping e o programa da noite, não é possível ao menos uma visitinha aos pais? Se necessário, por que não morar junto, dividir o espaço, mesmo com dificuldades de relacionamento? Ou a palavra solidariedade perdeu o sentido?
(Walcyr Carrasco. Disponível em: http://vejasp. Abril.com.br – Acesso em 07.01.2013. Adaptado)
De acordo com o texto, pode-se afirmar que o amigo mostrou- se