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2422336 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: TJ-RS
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

Há na palavra tolerância algo de condescendente, se não de desdenhoso, que incomoda. Lembrem-se do chiste do poeta francês Paul Claudel: "Tolerância? Há casas(I) para isso!" Isso diz muito sobre Claudel e sobre a tolerância. Tolerar as opiniões do outro acaso já não é considerá-las(I) inferiores ou incorretas? À rigor, só podemos tolerar aquilo que teríamos o direito de impedir: se as opiniões(II) são livres, como devem ser, não dependem, pois, da tolerância! Daí um novo paradoxo da tolerância, que parece invalidar sua(II) noção. Se as liberdades de crença, de opinião, de expressão e de culto são de direito, não podem ser toleradas, mas simplesmente respeitadas, protegidas, celebradas.

A palavra tolerante, no entanto, impôs-se, na linguagem corrente, para designar a virtude que se opõe ao fanatismo, ao sectarismo, ao autoritarismo, em suma... à intolerância. Esse uso não me parece desprovido de razão: ele reflete, na própria virtude que a supera, a intolerância de cada um. Em verdade, só se pode tolerar o que se teria o direito de impedir, de condenar, de proibir. Mas esse direito(III) que nós não temos quase sempre temos a sensação de tê-lo(III). Não temos razão de pensar o que pensamos? E, se temos razão, como os outros não estariam errados? E como a verdade poderia aceitar – a não ser por tolerância – a existência ou a continuidade do erro? O dogmatismo sempre renasce, ele nada mais é que um amor ilusório e egoísta da verdade. Por isso chamamos de tolerância o que, se fôssemos mais lúcidos, mais generosos, mais justos, deveria chamar-se respeito, de fato, ou simpatia ou amor... Portanto, é a palavra que convém, pois o amor falta, pois a simpatia falta, pois o respeito falta.

A tolerância – por menos exaltante que seja esta palavra – é, pois, uma solução passável; a espera de melhor, isto é, de que os homens(IV) possam se amar ou simplesmente se conhecer e se compreender, demo-nos por felizes com que eles(IV) comecem a se suportar.

Adaptado de: COMTE-SPONVILLE, A. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. São Paulo, Martins Fontes, 1999. p.186- 188. Disponível no site do COMITÊ DA CULTURA DE PAZ: http://www.comitepaz.org.br/comte4.htm

Considere a seguinte relação de pronomes do texto e de elementos por eles recuperados.

I - lascasas

II - suaas opiniões

III - loesse direito

IV - elesos homens

Quais estão corretas?

 

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