TEXTO II
COM MIL E UMA UTILIDADES
A palavra “coisa” é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele
termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma
ideia. Coisas do português.
A natureza das coisas: gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo,
5 advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma “coisificar”. E no
Nordeste há “coisar”: “Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você
coisar?”. [...]
Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa
boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema! [...]
10 [...] Mas a “coisa” tem história na MPB.
No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas
vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré (“Prepare seu coração / Pras coisas que eu
vou contar”), e A Banda, de Chico Buarque (“Pra ver a banda passar / Cantando coisas
de amor”), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som
15 Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor,
verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: “Coisa linda /
Coisa que eu adoro”.
Francicarlos Diniz. Revista Língua Portuguesa, ano I, número 12. São Paulo: Editora Segmento, 2006.
(Fragmento)
As questões de 33 a 36 são relativas ao TEXTO II.
“No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré [...] e A Banda, de Chico Buarque [...], que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou.” ( l.11-15)
O pronome relativo destacado na passagem acima faz referência ao seguinte termo: