O chato da cerveja
Com a chegada triunfal ao mercado brasileiro de uma infinita variedade de cervejas artesanais aditivadas de especiarias incomuns ao néctar, já existe por aí uma confraria de chatos muito parecida com a dos famosos degustadores de vinhos.
Gente que, logo no primeiro copo, observa a coloração, o aroma, o retro-gosto e a gaseificação da bebida que, para a maioria dos mortais, só precisa estar estupidamente gelada.
Quem pedir "uma cerveja, por favor" num boteco metido à besta corre o risco de ser submetido a um interrogatório sobre as inúmeras alternativas que o garçom – quando não o "sommellier de cervejas" – tem a oferecer ao consumidor.
"De que família aromática?"; "de baixa ou de alta fermentação?"; "com malte torrado ou dose extra de lúpulo?" "Pilsen com mandioca ou weiss com mel?"
O mais provável é que, constrangido, o pobre coitado que só quer refrescar a goela vá molhar o bico no pé sujo mais próximo. Ou troque o pedido para uma caipirinha.
Disponível em: <http://blogs.estadao.com.br/tutty/o-chato-da-cerveja/>. Acesso em: 18 nov. 2013.
No texto acima, há uma reflexão a respeito de uma novidade no mercado brasileiro que tem influenciado o hábito dos frequentadores de bares. Para caracterizar o que tem acontecido, o autor utiliza as expressões populares "metido à besta", "refrescar a goela", "molhar o bico" e "pé sujo", que significam, respectivamente,