A maturidade do internetês
[...] Muitas pessoas veem no internetês – essa espécie de “língua” oficial dos jovens conectados – um mal iminente, à espreita de corromper a forma padrão do idioma e de tornar o patrimônio da língua uma grande sala de bate-papo, repleta de flw [“falou”], blz [“beleza”] e demais abreviações informais que, em geral, os adolescentes usam para comunicar-se.
– A web não tem culpa de nada. Pessoas com boa formação educacional sempre conseguirão separar a linguagem coloquial da formal. Elas sabem quando dispensar os acentos e quando pingar todos os “is”. Os manuais de cartas formais estão aí para provar que sempre houve uma linguagem para cada tipo de ambiente – afirma Arlete Salvador, autora de A Arte de Escrever Bem.
Arlete afirma que o falante do idioma tende a identificar a variante adequada a cada situação de comunicação.
– Cartas de amor são diferentes de um pedido de compras de material de construção, por exemplo. Vejo a web como mais um instrumento de comunicação: ela é o que fazemos dela – argumenta Arlete.
A jornalista chama a atenção para a enorme quantidade de analfabetos funcionais no país, cujo problema não será agravado pela linguagem da internet, tampouco solucionado, por se tratar de um problema de alfabetização, de educação formal.
(Revista Língua, n. 40, fev. 2009, p. 25)
O texto reproduz parte de uma reportagem. Em alguns trechos é utilizado o discurso direto, como em: “– A web não tem culpa de nada” e “Vejo a web como mais um instrumento de comunicação: ela é o que fazemos dela – argumenta Arlete”. Nesses casos, é correto afirmar que a utilização do discurso direto: