Magna Concursos
479979 Ano: 2011
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Marinha

Trouxeste a chave?

Queremos sempre chegar ao coração das coisas. Nunca chegamos e é melhor que seja assim. No coração das coisas estão os loucos, que fitam uma realidade limpa e iluminada, sem nuances e sem consolo. Os loucos não suportam a ideia de que viver é rondar as coisas, é dançar em torno delas. Às vezes lhes roçamos a face, por outras lhes roubamos pequenos nacos. Nunca realmente as possuímos.

Uma excelente metáfora para esta prudente distância é o véu de Ísis, aquele que, dizia a deusa egípcia, nenhum mortal ousou levantar. Nunca encaramos o rosto da realidade, ficamos sempre à distância, na periferia. É estranho o mundo em que vivemos: um mundo sem centro, como um rio que não tivesse águas, mas apenas margens. Em consequência, todo esforço de conhecimento, de leitura do mundo, não passa de uma lenta e interminável ronda em torno de um enigma.

Resta-nos uma "leitura cerrada" da realidade. Uma leitura que se agarra às coisas como um leão que finca suas garras no pescoço da vítima, ou em seu lombo, sem, no entanto, lhe devorar as vísceras, sem chegar a seu coração.[...].

(CASTELO, José. o Globo, Prosa e verso, 12 jun., 2010. p.4.)

De acordo com o texto, qual chave permite acesso ao coração das coisas?

 

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