Remédio vencido faz mal ou só perde o efeito?
Depende do remédio, de sua forma farmacêutica – comprimido, cápsula, xarope –, das condições de armazenamento e uma série de outras variáveis. Alguns se tornam tóxicos; outros, inativos. Não é uma boa apostar no segundo caso.
Isso é especialmente perigoso no caso de antibióticos, já que, em vez de matar as bactérias, eles podem torná-las mais fortes. Um grupo de bactérias a uma dose insuficiente de antibiótico a chance de evoluir, por seleção natural, para resistir àquele medicamento.
Algo divertido acontece com a aspirina: em contato com a água, o princípio ativo, chamado ácido acetilsalicílico, decompõe-se em ácido salicílico (que sem o “acetil” fica mais ácido e pode causar úlceras) e ácido acético, que é vinagre. O nome desse processo é hidrólise, e ele ocorre com muitos outros remédios quando submetidos à umidade.
A humanidade consome 44 mil toneladas de aspirina por ano, o que dá aproximadamente 120 bilhões de comprimidos. A aspirina, como 80% dos remédios, tem origem natural. A salicina (que dá origem ao ácido acetilsalicílico) era extraída originalmente da casca do salgueiro. O papiro de Ebers, um manual médico escrito no Egito Antigo, 3.500 anos, já recomendava a casca do salgueiro como um bom analgésico.
A substituição do ácido salicílico por ácido acetilsalicílico, com a redução correspondente de , foi essencial para alcançar os parâmetros de segurança que tornam a aspirina tão comum e popular atualmente.
(Fonte: Superinteressante - adaptado.)
No período “Algo divertido acontece com a aspirina.”, o verbo sublinhado está no tempo: