No Brasil, algumas práticas de crueldade com animal,
como as rinhas de galo e a farra do boi, são consideradas
ilegais e punidas com cadeia. Mas há um tipo de violência
contra bichos quase ignorada pelas autoridades e pela
Justiça: os maus-tratos contra cães, gatos e outros animais
de estimação.
Um caso que ficou bastante conhecido foi um vídeo
publicado na Internet em 14 de dezembro de 2011,
mostrando um pequeno cão yorkshire espancado por uma
mulher em Formosa, no interior de Goiás. A violência foi
presenciada por uma criança pequena, supostamente a filha
da agressora. Segundo a polícia, o cão morreu. Também os
casos de Titã, enterrado vivo em Novo Horizonte, e Lobo, o
rottweiler que morreu depois de ser amarrado a um carro e
arrastado pelo próprio dono em Piracicaba, ambos em São
Paulo, chamaram atenção. Infelizmente, esses não são
episódios isolados.
No canil que Claudia Demarchi, presidente da ONG
Clube dos Vira-Latas, de Ribeirão Pires, coordena há sete
anos, ela cuida de aproximadamente 500 cães. Entre eles há
vários “Titãs” e “Lobos”, animais mutilados e traumatizados
pela crueldade dos homens.
O cão Toni, por exemplo, foi arrastado pelo dono, tal
como Lobo. Ele perdeu parte da pata esquerda e, há um ano,
recebe tratamento no Clube dos Vira-Latas. O pitbull
Ezequiel teve as duas patas dianteiras quebradas e os olhos
queimados com cigarro. Brutos ficou 11 anos amarrado a
uma corda de pouco mais de um metro na laje de casa.
Quando foi resgatado com apoio da polícia, mal conseguia
andar. A mascote do lugar, Fraldinha, foi jogada em um rio
com a coluna quebrada. Hoje, ela se locomove com o auxílio
de uma cadeira de rodas.
Internet: http://veja.abril.com.br (com adaptações).