Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão.
No tempo de Lavinia Fontana, na efervescência da Bolonha do século XVI, uma pintura, fosse um retrato ou uma cena, fosse religiosa ou alegórica, histórica ou privada, era criada com a intenção de ser lida. Essa era uma característica inerente e essencial do ato estético: a possibilidade, por meio de um vocabulário compartilhado, da comunicação entre o ponto de vista do artista e o ponto de vista do público. Um quadro podia ser venerado pela sua arte ou seu conteúdo, mas acima da veneração estava a promessa de algo a ser aprendido ou pelo menos reconhecido. Ainda no século VI, o papa Gregório, o Grande, havia declarado: "Uma coisa é adorar um quadro, outra é aprender em profundidade, por meio dos quadros, uma história venerável. Pois aquilo que a escrita torna presente para o leitor as pinturas tornam presente para os iletrados, para aqueles que só percebem visualmente, porque nas imagens os ignorantes veem a história que devem seguir, e aqueles que não conhecem o alfabeto descobrem que podem, de certa maneira, ler. Portanto, especialmente para o povo comum, as pinturas são o equivalente da leitura”.
[...] na nossa época, quando as imagens ganham novamente proeminência sobre a palavra escrita(a), falta-nos esse vocabulário visual compartilhado. Temos permitido que a propaganda e a mídia eletrônica privilegiem a imagem para transmitir informações(b) instantaneamente ao maior número de pessoas; esquecemos que a própria velocidade as converte na ferramenta ideal de comunicação(c) para toda sorte de propaganda, porque, manipuladas pela mídia, essas imagens não nos dão tempo para uma crítica ou reflexão pausada(e). "Adoramos as imagens”, mas não “aprendemos em profundidade, por meio delas”. Superficialmente, temos em comum certas imagens básicas − de eficiência e lucro, de sexualidade e satisfação − , cada uma com seu lugar-comum nas propagandas(d) completamente banais para a Ralph Lauren ou a Volvo, ou para o Homem de Marlboro, com sua tendência ao câncer. Um carro comumente significa sucesso, um cigarro, auto-afirmação; as praias oferecem um paraíso perdido, e as roupas de um estilista definem a identidade. Mas a leitura de imagens mais antigas e mais sábias nos escapa. Falta-nos uma linguagem comum, que seja profunda e significativamente rica. Vivemos, mais uma vez, na Torre de Babel inacabada.
Obs.: Lavinia Fontana (Bolonha (1552); Roma (1614)), pintora italiana. Seu pai e professor, Prospero Fontana, era o principal pintor da Escola de Bolonha.
(Alberto Manguel, Lendo imagens: uma história de amor e ódio. Trad. Rubens Figueiredo, Rosaura Eichemberg, Cláudio Strauch, São Paulo: Companhia das Letras, 2001, p. 143 e 144)
São equivalentes e igualmente claras e corretas, segundo o padrão culto escrito, as redações que se encontram em: