Não há palavra, nem em latim nem em grego, que corresponda ao que entendemos por público. Há as que servem pra designar o povo, a assembléia dos cidadãos armados ou não armados, o corpo eleitoral, todas as variedades de multidões. Mas qual escritor da Antiguidade pensou em falar de seu público? Nenhum deles jamais conheceu senão seu auditório (...). Havia um público na Idade Média? Não, mas havia feiras, peregrinações de multidões tumultuosas dominadas por emoções piedosas ou belicosas, cóleras ou pânicos. O público só pôde começar a nascer após o primeiro grande desenvolvimento da invenção da imprensa no século XVI. (...) Na segunda metade do século XVIII, nasceu e cresceu um público político, que, em seus transbordamentos, em breve absorveu, como um rio, seus afluentes, todos os outros públicos, literários, filosófico, científico. No entanto, até a Revolução, a vida de público teve pouca intensidade por si mesma e só adquiriu importância pela vida de multidão, à qual ainda está ligada, mediante a animação extrema dos salões e dos cafés. Da Revolução data o verdadeiro advento do jornalismo e, por conseguinte, do público, de que ela foi a febre de crescimento.
Gabriel Tarde. A opinião e as massas. Ed.: Martins Fontes, 1992. p. 33-5 (com adaptações).
Tendo por base o fragmento de texto acima, de Gabriel Tarde, e a noção de que o conceito de público evoluiu histórica e politicamente, julgue o próximos item.
Ao referir-se a público na sociedade de informação, Tarde afirma que este foi o momento de mudança mais significativa do conceito porque pela primeira vez a questão tecnológica influenciava sua definição.