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TEXTO I
O DISCURSO MIDIÁTICO
Mídia, informação, cultura de massa e publicidade foram além de suas fronteiras. Não conseguimos mais separar claramente seus domínios.
Havia um segmento de informação (jornal, telejornal, rádio), um segmento de comunicação institucional (publicidade, propaganda, estruturas em empresas e governos), e um de cultura de massa (seriados, novelas, quadrinhos, os livros best sellers, os filmes blockbusters, eventos esportivos, shows em estádios). Esses segmentos se misturaram, em um coquetel que leva texto, som e imagem, para brindar a essência da revolução digital.
Já não sabemos distinguir os domínios de texto!$ ^{(A)} !$, imagem e som. Nem a internet sabe. Não é caso de pouca fé!$ ^{(B)} !$, mas dizer que “está nas escrituras” não é mais suficiente!$ ^{(C)} !$. Além do texto, há também uma demanda por imagem e som!$ ^{(D)} !$. Tenho certeza de que isso aumentaria o número de fiéis.
As mídias se fundem!$ ^{(E)} !$. O grupo Murdoch, o grupo franco-americano Vivendi-Universal (edição musical e cinematográfica, editoras, agências de publicidade) e a fusão América On Line (internet) com a Time-Warner (revista, cinema, canais de televisão) são exemplos desse movimento.
As empresas possuem um grande papel no campo da informação. Além do óbvio poder econômico e financeiro, há o poder midiático, descrito por Ignacio Ramonet (professor da Université Paris VII, autor de La propagande silencieuse e diretor de redação do Le Monde Diplomatique) como o “aparato ideológico da globalização”. O poder midiático é a capacidade de aceitação da globalização e tem como aparato, em seu conjunto, o conteúdo dos sites, o que vemos na televisão, o que ouvimos no rádio, o que lemos nos jornais, o que a ficção transcreve.
No presente, informação é mercadoria. Mais do que uma vocação educacional, o intuito é comercial. Embora grande parte da informação seja gratuita, há uma nova relação estabelecida. Antigamente uma empresa jornalística vendia informação aos cidadãos. Hoje uma empresa midiática vende consumidores aos seus anunciantes. A informação não se move conforme os ditames da comunicação mas em função de interesses comerciais. E isso numa velocidade assombrosa. O mundo é instantâneo. Imediato. A “essência” da informação é então de impressões e sensações. O discurso das empresas midiáticas — informação, da publicidade, da cultura de massa — tem retoricamente as mesmas características: a rapidez (artigos breves, frases curtas, títulos de impacto); a simplicidade (vocabulário básico, sintática simples); e elementos de dramatização (riso, euforia, tragédia).
Ramonet destaca que tais características — que são as de um discurso de cultura de massa — são idênticas às do discurso que se dirige às crianças. Falamos brevemente, com simplicidade, de maneira emocional. O discurso de cultura de massa é portanto um discurso infantilizado.
O nível de instrução educacional no mundo está em crescimento. Acredito que essa ascensão, em algum momento, provoque uma reação contra essa infantilização. Mas como combatê-la? Para atacar um discurso de massa usaremos as mesmas armas? Será dente por dente? É melhor abrir o olho.
CORREIA, Luis Adonis Valente. In: Língua Portuguesa, ano II, n. 13, nov/2006, Rio de Janeiro. p. 47 (Corporativo)
O referente para o termo destacado em “Tenho certeza de que isso aumentaria o número de fiéis.” é: