Marta Anico, em seu artigo A pós-modernização da cultura: patrimônio e museus na contemporaneidade afirma: “Patrimônio e museus desempenham um papel importante no que concerne quer à criação de consciências pessoais, quer no que diz respeito à construção e representação de identidades locais, regionais ou nacionais, em virtude do seu posicionamento enquanto instrumentos pedagógicos e ideológicos. Simultaneamente agentes e produtos da mudança política, social e cultural, os museus e sítios patrimoniais têm vindo a ser crescentemente problematizados como terrenos contestados, onde se debatem questões relacionadas com o que se entende por cultura, com a propriedade cultural, com as modalidades de representação ou, ainda, com as questões de poder associadas a essas representações.
O questionar das metanarrativas, das verdades, a fragmentação do gosto e do estilo, as noções pós-modernas dos conceitos de conhecimento, realidade e autenticidade, bem como a ênfase crescente conferida ao indivíduo, são apenas alguns dos factores que contribuíram para o questionar de determinadas premissas associadas ao conceito de museu, proporcionando os mecanismos necessários para a introdução de novas variações, em particular no que diz respeito à natureza das colecções, às modalidades de representação cultural, ao papel dos públicos e visitantes e à sua própria identidade e missão institucional.
A sobrevivência das instituições museológicas e patrimoniais exige assim, que quer a sua identidade, quer a sua missão, objectivos e projectos sejam repensados e articulados de forma a ir ao encontro das necessidades de um conjunto de destinatários cada vez mais heterogéneo, tornando-se mais aberto a diferentes narrativas e às circunstâncias locais, conduzindo a uma reconceptualização da sua função social e estilo comunicacional.”
Para referendar suas reflexões cita Macdonald (2002, p. 158, tradução da autora) que diz: