O entendimento da arquitetura moderna brasileira não é completo se não considerar a obra do arquiteto Sérgio Bernardes (1919-2002). Observe abaixo imagens de seu projeto para o Rio de Janeiro do Futuro, publicadas em número especial da Revista Manchete na década de 1960, e considere a seguinte afirmação do arquiteto:
Habitar é colateral ao trabalho. Colateralidade é, porém, diferente de justaposição. Colateralidade significa, para nós, rapidez e facilidade de acesso. Decorre de um planejamento orgânico e não de uma ambição especulativa. [...] Todos sentimos que a horizontalidade gigante e a verticalidade tímida agravaram os problemas urbanos da habitação, pela predominância do interesse individual sobre o bem comum.

Copacabana terá quatro bairros verticais, todos com vistas para o mar e para o verde.

O rio entrará na civilização do lazer com 45 centros culturais.

O desenvolvimento do centro comercial da cidade é celular e sua conexão é feita por calçadas móveis.

Cada pilar da ponte servirá de cais para seis navios
Considerando os princípios urbanísticos contidos nesse pensamento, verifica-se que Sérgio Bernardes acreditava que
I. cada proprietário de lote é um especulador em potencial.
II. a administração pública, na prática, vem-se abstraindo do bem comum para prolongar um direito privado dentro de uma estrutura que exige solidariedade comum.
III. o crescimento das cidades tem de ser pensado como uma célula gigante, como um aglomerado de células que cresce indefinidamente de maneira orgânica.
IV. a cidade jardim como um sinônimo de ecocidade, consistindo em uma célula autônoma cercada por um cinturão verde num meio-termo entre campo e cidade, é uma solução para o problema da habitação.
Está correto o que se afirma em