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3534653 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FUNEC-MG
Orgão: FUNEC-MG
Provas:

Com base na leitura do poema a seguir, responda à questão 6.

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A mão suja

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Minha mão está suja.

Preciso cortá-la.

Não adianta lavar.

A água está podre.

Nem ensaboar.

O sabão é ruim.

A mão está suja,

suja há muitos anos.

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[...]

-

Ai, quantas noites

no fundo de casa

lavei essa mão,

poli-a, escovei-a.

-

[...]

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Eu era um sujo vil,

não sujo de terra,

sujo de carvão,

casca de ferida,

suor na camisa

de quem trabalhou.

Era um triste sujo

feito de doença

e de mortal desgosto

na pele enfarada.

Não era sujo preto

― o preto tão puro

numa coisa branca.

Era sujo pardo,

pardo, tardo, cardo.

-

Inútil reter

a ignóbil mão suja

posta sobre a mesa.

Depressa, cortá-la,

fazê-la em pedaços

e jogá-la ao mar!

Com o tempo, a esperança

e seus maquinismos,

outra mão virá

pura ― transparente ―

colar-se a meu braço.

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(ANDRADE, Carlos Drummond. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007, p. 108. Adaptado.)

A ideia de ter que cortar a “mão suja” sugere o anseio do sujeito por uma transformação de ordem:

 

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