O Brasil possui mais de 1,6 milhão de quilômetros de estradas, o suficiente para colocá-lo em quarto lugar no ranque das vinte maiores economias do mundo nesse quesito, atrás apenas dos EUA, da China e da Índia. Mas uma análise mais criteriosa da situação das rodovias nacionais trata com a devida medida esse desempenho. Apenas 12,2% das estradas brasileiras estão pavimentadas(b), ou aproximadamente 196 mil quilômetros.
Ao incluir no cálculo variáveis relacionadas à extensão territorial, população e frota de veículos, de acordo com o modelo estatístico criado pelo italiano Giorgio Mortara, nos anos 70 do século XX, o Brasil passa a ocupar a última colocação entre as principais economias, com um quarto da cobertura russa e um décimo da existente nos EUA.
“O Brasil tem a décima maior economia do planeta, mas está na lanterna(c) da infraestrutura rodoviária entre as vinte maiores economias mundiais”, pontua o consultor de transportes Geraldo Vianna, ex-presidente da Associação do Transporte de Cargas e Logística. “Costuma-se dizer que o Brasil só precisa investir na manutenção das rodovias já existentes, mas não é bem assim. Ainda mais se levarmos em consideração que mais de 60% da produção nacional são escoados exclusivamente por estradas”.
Entretanto, Vianna acredita que, diante da histórica escassez de investimentos em infraestrutura, o melhor seria se concentrar na malha(e) existente, em vez de investir maciçamente na criação de novas estradas, como se fez nas décadas de 50, 60 e 70 do último século.
Rodrigo Martins. Aos trancos e barrancos. In: Carta Capital, ano XV, n.º 541, 15/4/2009 (com adaptações).
Quanto à correção gramatical, assinale a opção correta.