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Considere as três estrofes a seguir, extraídas da quarta parte do poema O Navio Negreiro, de Castro Alves:

IV

Era um sonho dantesco… O tombadilho

Que das luzernas avermelha o brilho.

Em sangue a se banhar.

Tinir de ferros… estalar de açoite …

Legiões de homens negros como a noite,

Horrendos a dançar…

Negras mulheres, suspendendo às tetas

Magras crianças, cujas bocas pretas

Rega o sangue das mães:

Outras moças, mas nuas e espantadas,

No turbilhão de espectros arrastadas,

Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra, irônica, estridente...

E da ronda fantástica a serpente

Faz doudas espirais...

Se o velho arqueja... se no chão resvala,

Ouvem-se gritos... o chicote estala.

E voam mais e mais...

ALVES, Castro. O Navio Negreiro. In: Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986, p. 280)

Analise – com base nas estrofes – as afirmativas a seguir:

I. A palavra “sonho” não está sendo usada no seu sentido literal, pois, associado a ela, há o qualificativo “dantesco”. A ideia desenvolvida é mais de um pesadelo, em contraposição a um sonho.

II. O poema descreve acontecimentos apavorantes vividos pelos escravos. As cenas são cruéis: os negros são golpeados pelo açoite, o sangue que deles é vertido mancha o tombadilho do navio.

III. “E ri-se a orquestra”, na última estrofe, está relacionado, metaforicamente, aos que dão chicotadas e sorriem ironicamente do sofrimento que causam em quem as recebe.

IV. A serpente, no poema, refere-se ao movimento do açoite no ar. Desse modo, ela pode, assim como o açoite, ser associada ao que faz mal, causa dor, sofrimento.

Assinale a alternativa CORRETA:

 

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