Leia o texto e responda a questão.
A visita dos avós esticava, sempre, os aniversários por outros dias. Eles nunca ficavam pouco tempo. A viagem era longa. Um pedaço do caminho fazia-se por trem de ferro, entre apitos, fumaça e erva-cidreira cheirando à beira dos trilhos. O outro pedaço era de jardineira, com as malas sobre o teto, amarradas com cordas de bacalhau e cobertas por lona. Cada passageiro mastigava seus palitos de fósforo para não enjoar. O avô chegava de guarda-pó sobre o terno preto. A avó, com lenço na cabeça, queixava-se da poeira e da distância. Dizia sempre ser a última viagem. Não tinha mais saúde. Depois de criar 11 filhos, já era tempo de descansar. [...] Nessa visita prolongada, avó [...] contava histórias de mulas sem cabeça, almas de outro mundo e lobisomem. Os netos escutavam cheios de medo e mais o desejo de conhecer uma alma penada [...]. As noites ficavam mais curtas com a visita dos avós. Os meninos dormiam mais tarde, depois das histórias, das notícias e do leite com farinha de milho tomado na tigela. Sempre algum menino perguntava se amanhã ia ter mais aniversário ou quantos dias eles ainda iam ficar. O pai entrava na conversa e mandava os meninos deixar os avós sossegados [...].
QUEIRÓS, Bartolomeu Campos de. Indez. 12. ed. São Paulo: Global, 2004, pp. 24, 25.
A partir do texto, percebe-se que a estadia dos avós era demorada por conta: