Magna Concursos
64945 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: IBGE

BELO BELO

Belo Belo Belo,

Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.

E o risco brevíssimo — que foi? passou —

[de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,

E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro

Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,

Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.

Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:

Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,

Não quero ser amado.

Não quero combater,

Não quero ser soldado.

- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguillar, 1983.

A ideia central do poema reside na valorização do belo nas coisas mais simples. A partir dessa visão, pode-se dizer que, por meio do belo, o eu lírico

 

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