Texto I
O Pavão
Eu considerei a glória de um pavão ostentando o
esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas
andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas
não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O
5 que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se
fragmenta, como em um prisma. O pavão é um
arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do
grande artista, atingir o máximo de matizes com o
mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu
10 esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh!
minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e
estremece e delira em mim existem apenas meus
olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de
15 glórias e me faz magnífico.
Disponível em: http://www.releituras.com/rubembraga_pavao.asp. Acesso em: 4 jan.2017.
Na frase “Eu considerei a glória de um pavão OSTENTANDO o esplendor de suas cores;...”, a palavra em destaque produz o sentido de: