Magna Concursos
3159118 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IMAIS
Orgão: Pref. Santos-SP

Todos os dias, mais de 2 bilhões de xícaras e copos de café são ingeridos em todo o mundo. Isso significa que, nos poucos minutos que você demorar para ler este texto, cerca de 10 milhões de pessoas terão tomado uma bebida dessas, segundo os dados de associações do setor. Isso faz da cafeína, uma das substâncias presentes no café, a droga psicoativa mais consumida em todo o planeta. Mas como o interesse pelo fruto de um arbusto originário da Etiópia ganhou o mundo — e, segundo alguns autores e pesquisadores, influenciou até as ideias que deram origem ao Iluminismo e ao Capitalismo?

Há 15 séculos atrás, as partes da planta eram usadas com fins medicinais, e monges também passaram a consumi-la para manter a atenção em rezas e vigílias noturnas. Mas o café como conhecemos hoje — torrado e moído — só foi desenvolvido a partir do século 14. Nas décadas seguintes, o hábito de tomar a bebida como um rito de sociabilidade conquistou partes da Europa e do Oriente Médio, a começar pela Turquia, onde surgiram as primeiras cafeterias do mundo. Poetas, filósofos, escritores e outros intelectuais foram os adeptos de primeira hora da prática.

A história da popularização do café fez com que alguns autores creditassem à bebida o desenvolvimento de importantes ideias que moldaram o mundo pelos séculos seguintes. O filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas, por exemplo, destaca o papel das cafeterias na Inglaterra e na Alemanha durante os séculos 17 e 18 como os locais em que ocorria a comunicação, na forma de conversas e publicações. Na visão dele, esses estabelecimentos se tornaram “centros da crítica”, onde a opinião pública era criada e registrada.

Já o escritor americano Michael Pollan, autor de “Sob o Efeito de Plantas”, defende que o consumo de café serviu de combustível para novas ideias, como o Iluminismo — o movimento do século 18 que defendia o uso da razão no lugar da fé para entender e resolver os principais problemas da nossa sociedade. “Existem fortes motivos para acreditar que a cafeína contribuiu para o Iluminismo, a ‘Era das Luzes’ e a Revolução Industrial, que exigiam um pensamento focado e linear”, diz ele, “Antes do café chegar à Europa, as pessoas estavam bêbadas ou inebriadas a maior parte do dia. Isso ocorria porque tomavam bebidas alcoólicas até no café da manhã. E indivíduos alcoolizados não vão ser racionais, lineares no pensamento ou com energia”, continua ele. Com a popularização do café a partir do século 17, porém, as coisas mudaram. “Em Londres, existiam cafeterias dedicadas à literatura, onde escritores e poetas se congregavam. Outras eram específicas para o mercado de ações, ou para a ciência”, lista Pollan.

Em entrevista à BBC News Brasil, o professor de antropologia Ted Fischer, da Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos, concorda com essa relação histórica entre a bebida e as ideias iluministas. “O café alterou o curso da História e fomentou ideias do Iluminismo e do Capitalismo”, diz o pesquisador, que dirige o Instituto de Estudos sobre o Café na universidade americana. “Não me parece um mero acidente que as ideias sobre democracia, racionalidade, empirismo, ciência e capitalismo vieram num momento em que o consumo dele se popularizou. Essa droga, que amplia a percepção e a concentração, definitivamente fez parte do contexto que desembocou no Capitalismo”, complementa.

Falando em Capitalismo, Fischer chama a atenção para como a demanda por café alterou o curso da história de vários países, incluindo a do próprio Brasil. “De um lado, temos em 1888 a abolição da escravatura e a ampliação da produção cafeicultora no Brasil. Do outro, alguns industriais na Europa começaram a oferecer café aos funcionários, além de vender o produto por um preço mais baixo”, destaca.

(Jornal BBC Brasil, 19.07.2023. Adaptado).

Assinale a alternativa cuja reescrita do texto emprega um advérbio de afirmação.

 

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