É inegável que a política de estímulo ao transporte individual motorizado é absolutamente insustentável, tanto pelo uso de recursos naturais quanto pela geração de poluição e pela crescente inviabilização dos deslocamentos urbanos.
Não são necessárias muitas considerações para se constatar o óbvio: os engarrafamentos quase permanentes em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo provocaram, nos últimos anos, uma queda vertiginosa na velocidade média de suas ruas. Não apenas a lentidão irritante do tráfego urbano, a par da escassez de vagas, provoca desperdício de petróleo, um recurso natural não renovável, e aumento na quantidade de horas de trabalho perdidas no trânsito, como a poluição decorrente desses fatos causa um número cada vez maior de casos de doenças respiratórias, sem falar nos problemas psíquicos. Os prejuízos são, ao mesmo tempo, sociais, ambientais e econômicos (embora alguns setores sempre lucrem com o caos).
Com a moeda estável e financiamentos em até 72 meses, as classes ascendentes podem realizar suas aspirações de possuir um carro novo. Certo, elas também têm direito a um carro e, além disso, tal poder de compra “é um sinal de progresso social e econômico”, como tanto se ouve falar. No entanto, essa forma superficial de encarar a questão esconde que, na verdade, não há progresso algum, nem para a sociedade, como um todo, nem para o feliz possuidor do carro novo.
É indispensável que a sociedade tome consciência de que o transporte individual nas cidades é incompatível com uma boa qualidade de vida. É importante que se renuncie à ideia falsa de conforto que o automóvel proporciona e ao seu uso como mero símbolo de status. Somente modos de transporte de massa, ou seja, os movidos à energia elétrica, como trens e metrô, podem resolver tais problemas.
Planejamento urbano de qualidade é igualmente indispensável. Isso significa, entre outras medidas, concentrar serviços próximos ou entremeados com áreas residenciais, para que se reduza a necessidade de deslocamentos; permitir escritórios de baixa movimentação de pessoas em áreas meramente residenciais; incentivar a implantação de escolas de qualidade em todos os bairros; descentralizar os polos de negócio, de comércio e de finanças. Quanto mais tempo levarmos para a adoção dessas medidas, mais cara, demorada e dolorosa será a tentativa de reverter a tendência de colapso no sistema de transporte urbano.
Carlos Gabaglia Penna. Transporte e meio ambiente. Internet: <http://www.oeco.org.br> (com adaptações).
Com base nas ideias e na estrutura do texto acima, julgue o item.
Visto que o verbo renunciar — “renuncie” — pode tanto ter complementação direta quanto indireta, a correção gramatical do texto seria mantida se o sinal indicativo de crase em “à ideia” fosse eliminado.