TEXTO 5
Grito Negro
Eu sou carvão!
E tu arrancas-me brutalmente do chão
e me fazes tua mina, patrão.
Eu sou carvão!
E tu acendes-me, patrão,
para te servir eternamente como força motriz
mas eternamente não, patrão.
Eu sou carvão e tenho que arder sim;
queimar tudo com a força da minha
combustão.
Eu sou carvão;
tenho que arder na exploração
arder até às cinzas da maldição
arder vivo como alcatrão, meu irmão,
até não ser mais a tua mina, patrão.
Eu sou carvão.
Tenho que arder
Queimar tudo com o fogo da minha
combustão.
Sim!
Eu sou o teu carvão, patrão.
CRAVEIRINHA, José João. Karingana Ua Karingana.
(Era uma vez). Lisboa: Edições 70, 1982.
José João Craveirinha foi o primeiro autor africano que ganhou o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa. Sobre o poema Grito Negro, é INCORRETO afirmar que