Texto para responder a questão.
Alguma coisa está fora da ordem
Você já reparou que, em algumas lojas, os operadores de caixas estão desaparecendo e sendo trocados por máquinas em que passamos nossos produtos nos scanners e pagamos sem o intermédio de uma pessoa?
Há, ainda, redes de fast-food que implementaram quiosques onde podemos fazer o pedido e receber uma senha para retirar a comida diretamente no balcão, sem ter que se dirigir a alguém. Se você é destas pessoas que gostam de interagir, vai ter cada vez menos oportunidades de dar o seu vigoroso "bom dia" nesses espaços.
Quando pensamos em futuro do trabalho, por vezes, imaginamos robôs voadores que vão substituir humanos em várias funções. Esse futuro é agora e os robôs voadores dos filmes tomam vida, não personificados apenas pelos drones, mas também por outras máquinas
que têm substituído a força de trabalho em funções mais operacionais, manuais e repetidas.
Alguns episódios de automação são clássicos, como, por exemplo, quando o assunto é mobilidade urbana. Nos trens, BRT's e metrôs, com a introdução de cartões de transportes integrados, menos atendentes são necessários para facilitar a compra dos bilhetes. Além disso, os trocadores de ônibus das linhas de transporte foram praticamente extintos. Quando o pagamento da passagem é em dinheiro, o motorista assume a função dupla de dirigir e receber os trocados.
Essa é uma realidade global. Em países como a França, postos não têm frentistas. Carros que dirigem sozinhos em regiões mais remotas de algumas cidades já vêm sendo testados. E a automação vem se espalhando e já promete arrebatar, pelo menos, 54% dos empregos formais no Brasil até 2026, segundo levantamento feito pela UnB - Universidade de Brasília.
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Passamos por um processo gradativo de mudança no mundo do trabalho. Ao mesmo tempo em que profissões desaparecem, novas são criadas. A nova ordem aponta que precisaremos cada vez mais de pessoas que programem máquinas e menos que sirvam. [ ... ]
Como não dá para pararmos as máquinas, é preciso democratizar o ensino de tecnologias nas escolas para treinar uma força de trabalho mais atualizada com as novas demandas. Se não, reforçaremos ainda mais uma política de exclusão massiva e de obsolescência intencional.
GÉNOT, Luana. Revista Ela, O Globo, 20 out. 2019. p. 48.
BRT'S - ônibus que circulam em corredores expressos.
Em que passagem está expressa a ideia que norteia o texto?