Magna Concursos
3419469 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: CETREDE
Orgão: Câm. Mombaça-CE

Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 12.

(Título:__________________)

Como se adaptar às revoluções vertiginosas no vocabulário.

Walcyr Carrasco

Não há botox, plástica ou tratamento estético que esconda a idade de quem não faça um tratamento cirúrgico na própria linguagem. Eu estava lendo Baixo Esplendor, do Marçal Aquino — um ótimo livro, por sinal —, que se passa nos anos 70. Os personagens, por exemplo, correm para atender o telefone. Não que isso jamais ocorra atualmente. Mas em geral as pessoas usam celular e, quando toca, ninguém corre. Basta tirá-lo do bolso ou da bolsa. Expressões como “vou bater o telefone na sua cara” são obsoletas. Vai bater o quê? O celular? E quebrar, no preço que está? Algumas, mais antigas, como “tirei seu nome da minha caderneta”, não se dizem. Não se usa mais a velha caderneta de endereço. Hoje é tudo digital no mundo. Tudo bem, algumas pessoas usam, mas são dinossauros apegados ao passado. No mesmo livro há um Gordini. Quem se lembra do Gordini? É o mesmo que se recordar do Orkut, embora sejam de épocas absolutamente diferentes. Fale com um garoto de 14 anos. Não saberá nem o que é um, nem o outro. Possivelmente, também não saberá quem foi Dostoievski, o que é mais inquietante. Mas todos conhecem uma legião de influencers com milhões de seguidores — e eu, não.

A necessidade de atualização é constante e cruel no mundo inteiro. Imaginem para mim, que sou dos tempos da máquina de escrever. Do xerox. Até pouco tempo, um amigo deixava um recado na secretária eletrônica: “Envie um fax”. Não tem mais secretária nem fax! O modo de falar nem sempre acompanha a velocidade das inovações. Até pouco tempo eu nem sabia o que era TikTok e ele já estava no auge. Surgem palavras como “monetizar”. Que vem de money e significa gerar dinheiro, tornar lucrativo.

A linguagem dos computadores entrou para o dia a dia e já se fala em “deletar” alguém de sua vida. A linguagem muda tão rapidamente que, de um dia para o outro, corro o risco de falar de um jeito antigo. A mudança não é só impulsionada pela tecnologia. Também há a questão das palavras de origem racista, expressões que atingem a mulher ou homofóbicas. Não saia, por exemplo, dizendo que alguém é gorda. No máximo, sobrepeso ou plus size. Ou pode até ser acusado de gordofobia e levar cadeia. Eu até me admiro porque a palavra “curtir”, que passou a ser usada na minha adolescência como gíria [...] continua on. Sobreviveu. Falo curtir com tranquilidade, e me consideram avançado, ainda bem!

Pesquisa agora é no Google. Fala-se em “googlar” um nome. E lá vem a biografia, fotos… Recebia-se um calhamaço anual: era a lista telefônica. Hoje, nada mais antigo que ameaçar “vou tirar você da minha lista”. Cadê a lista? Encontra-se alguém mais rapidamente pelo Facebook, pelo Instagram… Outro dia, em um texto original para adolescentes, usei a palavra “stories”. A editora me advertiu: pode desaparecer. Substituída por uma nova tecnologia.

Nunca a linguagem foi tão rápida, tão fluida. Já aguardo a próxima novidade para descobrir que palavra devo aprender.

Adaptado https://veja.abril.com.br Publicado em 11/08/21

“Tudo bem, algumas pessoas usam, mas são dinossauros apegados ao passado.” Parágrafo 1º

Na segunda oração desse período, encontra-se a seguinte figura de linguagem:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Almoxarife

60 Questões

Assistente de Administração

60 Questões

Assistente de Plenário

60 Questões

Recepcionista

60 Questões

Redator Legislativo

60 Questões

Técnico de Informática

60 Questões