O diabetes é uma doença cujo registro mais antigo está em papiros do Egito, de 1552 a.C. A descoberta de como mantê-la sob controle, porém, é uma história com pouco mais de 100 anos. Nas duas últimas décadas do século XIX, médicos e cientistas perceberam que a doença não decorria de problemas dos rins, como se pensava. No mesmo período, postulou-se que alterações no pâncreas poderiam levar ao diabetes.
Em 1921, o cirurgião canadense Frederick Banting começou uma série de experiências, auxiliado pelo então estudante de medicina Charles Best, que desembocaram na descoberta de um extrato pancreático que auxiliava na redução da glicemia. O trabalho foi feito no laboratório do médico escocês John Macleod e supervisionado por ele na Universidade de Toronto, no Canadá.
Em 1922, os pesquisadores aplicaram o extrato pancreático em um rapaz de 14 anos com diabetes que se tratava no Hospital Geral de Toronto, mas as reações colaterais foram intensas e o experimento foi interrompido. O bioquímico canadense James Collip purificou esse extrato (que passou a ser chamado de insulina), e as injeções seguintes, no mesmo paciente, fizeram a glicemia cair de 520 microgramas por decilitro (mg/dl) de sangue para 120 mg/dl.
As descobertas renderam prêmios Nobel. Em 1923, Banting e Macleod ganharam o de Fisiologia e Medicina e dividiram os méritos e o valor do prêmio, informalmente, com Best e Collip.
FIORAVANTI, Carlos. A descoberta da insulina. Pesquisa FAPESP. São Paulo, FAPESP, Ano 22, n. 302, abr., 2021. p. 90 (Fragmento adaptado).
No trecho, as expressões negritadas funcionam, fundamentalmente, como