Leia o texto a seguir para responder a questão:
Na obra, recupera-se a narração em terceira pessoa
para melhor objetivar o nascimento, a paixão e a morte de
um provinciano ingênuo. Rubião, herdeiro improvisado de
uma grande fortuna, cai nos laços de um casal ambicioso; a
mulher, a ambígua Sofia, vendo-o rico e desfrutável, dá-lhe
esperanças, mas se abstém cautelosamente de realizá-las
ao perceber no apaixonado traços de crescente loucura. Em
longos ziguezagues se vão delineando o destino do pobre
Rubião e a vileza bem composta do mundo onde triunfam
Sofia e o marido; e não sei de quadro mais fino da sociedade burguesa do Segundo Reinado do que este, composto a
modo de um mosaico de atitudes e frases do dia a dia. Desse
mundo é expulso com metódica dureza o louco, o pobre, o
diferente. As últimas páginas do romance, contando o fim do
nosso anti-herói nas ladeiras de Barbacena, trazem na sua
simplicidade patética o selo do gênio.
(Alfredo Bosi, História concisa da literatura brasileira, 2015. Adaptado)