Por que estudo citado por 25 anos para defender
agrotóxico mais usado no Brasil foi invalidado
Um estudo publicado há 25 anos que concluía que o
agrotóxico glifosato não apresentava risco à saúde
humana ou causava câncer foi excluído em dezembro da
revista científica que o publicou, a Regulatory Toxicology
and Pharmacology.
O glifosato é um agrotóxico popular em todo o mundo,
incluindo Brasil e Estados Unidos. Associado
especialmente à produção de soja transgênica, o
herbicida contribuiu para que o Brasil se tornasse o
maior produtor do grão no mundo, superando os Estados
Unidos.
Em um comunicado, o atual editor-chefe da publicação,
Martin van den Berg, explicou que a exclusão "baseia-se
em vários problemas críticos considerados suficientes
para comprometer a integridade acadêmica deste artigo
e de suas conclusões".
Entre os problemas encontrados, está a participação de
funcionários da empresa Monsanto, hoje comprada pela
Bayer, na elaboração do artigo, além de se basear em
único estudo da empresa. A Monsanto foi a principal
produtora histórica do glifosato, comercializado sob a
marca Roundup.
O artigo excluído, feito em 1999 e publicado em 2000,
teve impacto significativo nas decisões regulatórias
relacionadas ao glifosato e ao Roundup por décadas,
segundo a própria revista científica.
" As preocupações tornam necessária esta retratação
para preservar a integridade científica da revista",
escreveu o editor van den Berg.
"A falta de clareza sobre quais partes do artigo foram
redigidas por funcionários da Monsanto gera incerteza
quanto à integridade das conclusões. Especificamente, o
artigo afirma a ausência de carcinogenicidade associada
ao glifosato ou à sua formulação técnica, o Roundup",
continua.
O comunicado afirma ainda que processos na Justiça
mostraram que os autores podem ter recebido
compensação financeira da Monsanto pelo trabalho no
artigo, o que não foi declarado.
O editor disse que entrou em contato com o único autor
do artigo vivo, Gary M. Williams, para questioná-lo sobre
as acusações, mas não obteve resposta.
Ao jornal New York Times, um porta-voz da Bayer
afirmou que o envolvimento da Monsanto no artigo de
2000 "não chegou ao nível de autoria e foi devidamente
divulgado na seção de agradecimentos".
No Brasil, em 2019, Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa) anunciou resultado da sua reavaliação toxicológica do glifosato. O parecer da área técnica foi de
que ele podia continuar sendo permitido no país, já que
não havia evidências científicas de que ele cause
câncer, mutações ou má formação em fetos.
Nos EUA, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) ainda
considera o herbicida seguro. Haverá uma reavaliação
em 2026, após uma ação judicial movida por
organizações ambientalistas, de segurança alimentar e
de defesa de trabalhadores rurais.
A União Europeia renovou a aprovação do glifosato por
mais 10 anos em novembro de 2023.
As renovações contrastam com o que concluiu a Agência
Internacional para Pesquisa sobre Câncer (Iarc), parte da
Organização Mundial de Saúde, em 2015. Com base em
centenas de pesquisas, a agência apontou que o
glifosato era "provavelmente cancerígeno" para
humanos.
Em 2018, a Monsanto foi condenada pela Justiça
americana a pagar US$ 289 milhões ao jardineiro
Dewayne Johnson, que afirma que o câncer que teve em
2014 foi causado pelo uso de um dos agrotóxicos que
contêm glifosato da empresa.
O processo foi o primeiro alegando que agrotóxicos com
glifosato causam câncer a ir a julgamento.
Segundo o New York Times, desde então, a Bayer
pagou mais de US$ 10 bilhões (R$ 54 bilhões) para
encerrar cerca de 100 mil processos relacionados ao
Roundup e enfrenta a possibilidade de novos processos.
Os acordos não incluíram admissão de responsabilidade
ou irregularidade, e a Bayer continuou a vender o
produto.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/clymlk6ge1ko
"O glifosato é um agrotóxico popular em todo o mundo, incluindo Brasil e Estados Unidos."
Levando em conta os impactos legais e econômicos do glifosato, assinale a alternativa CORRETA.