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3754282 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IME
Orgão: IME

Texto 2

Carlos Drummond de Andrade foi poeta, contista e cronista da chamada segunda geração do modernismo brasileiro. Os temas das suas obras são variados e profundos, incluindo questões existenciais tais como o amor e o sentido da vida e da morte. O poema “Os ombros suportam o mundo” foi publicado em 1940.

OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

1 Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.

5 E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
10 mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
15 e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
20 prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. 1º ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 51.

Sob a influência de ideias existencialistas, buscando exprimir, no plano linguístico, a ideia do vazio espiritual de uma época em crise, o poeta, no texto 2, utiliza um léxico sugestivo da descrença e desilusão. Assinale o item que ilustra este procedimento estilístico:

 

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