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3928802 Ano: 2025
Disciplina: Filosofia
Banca: INEP
Orgão: PND
TEXTO 1

O totalitarismo neoliberal
O totalitarismo neoliberal pratica, como dissemos, uma outra forma de imperialismo e, não tendo o Estado nacional como enclave territorial do capital, não precisa de nacionalismos extremados. Sua grande novidade está em definir todas as esferas sociais e políticas não apenas como organizações, mas como um tipo determinado de organização que percorre a sociedade de ponta a ponta e de cima a baixo: a empresa – a escola é uma empresa, o hospital é uma empresa, o centro cultural é uma empresa. Eis por que o Estado é concebido como empresa, sendo por isso espelho da sociedade, e não o contrário, como nos antigos totalitarismos. Vai além: encobre o desemprego estrutural por meio da chamada uberização do trabalho e por isso define o indivíduo não como membro de uma classe social, mas como um empreendimento, uma empresa individual ou “capital humano”, ou como empresário de si mesmo, destinado à competição mortal em todas as organizações, dominado pelo princípio universal da concorrência disfarçada sob o nome de meritocracia (é o que chamo de neocalvinismo). O salário não é visto como tal, e sim como renda individual, e a educação é considerada um investimento para que a criança e o jovem aprendam a desempenhar comportamentos competitivos. Dessa maneira, desde o nascimento até a entrada no mercado de trabalho, o indivíduo é treinado para ser um investimento bem-sucedido e a interiorizar a culpa quando não vence a competição, desencadeando ódios, ressentimentos e violências de todo tipo, particularmente contra imigrantes, migrantes, negros, índios, idosos, mendigos, sofredores mentais, LGBTQ+, destroçando a percepção de si como membro ou parte de uma classe social, destruindo formas de solidariedade e desencadeando práticas de extermínio.
CHAUÍ, M. Anacronismo e Irrupción, n. 18, maio-out. 2020.
TEXTO 2
Após a exposição dos conceitos de meritocracia, capital humano e empreendedor de si, um professor de filosofia apresentou os seguintes dados para os estudantes da 3ª série do Ensino Médio:
• Desigualdade na ocupação de cargos gerenciais: em 2019, os homens ocupavam 62,6% dos cargos gerenciais no Brasil, enquanto as mulheres representavam apenas 37,4%.
• Diferença salarial por gênero: em 2019, os homens recebiam, em média, R$ 3 946,00, enquanto as mulheres ganhavam R$ 2 680,00, resultando em uma diferença salarial de 47,24%.
• Empreendedorismo por raça e gênero: entre os 28,6 milhões de empreendedores existentes no Brasil, 9,8 milhões são homens negros e 8,7 milhões são brancos; 5 milhões são mulheres brancas e 4,7 milhões são negras; além disso, 39% das mulheres brancas têm o Ensino Superior completo, enquanto 45% dos homens negros têm apenas o Ensino Fundamental ou menos.

O perfil do empreendedorismo por raça/cor e gênero no Brasil.
Disponível em: www.sebrae.com.br.
Acesso em: 24 maio 2025.
Ao desenvolver um itinerário formativo de aprofundamento (IFA), um professor de filosofia aborda temas como empreendedorismo e empreendedor de si, associando-os ao mundo do trabalho, de forma crítica. Ao recorrer a Marilena Chauí, ele adota a leitura de textos, debates e vídeos como recursos didáticos. Nesse sentido, para a avaliação processual o professor deve
 

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