A questão se refere ao texto a seguir.
Leia o excerto a seguir:
"A sala de jantar, vasta e sombria, cheirava a café fresco e a um leve mofo de cortinas
velhas. Dona Constança, com sua calma aristocrática, observava a filha, Sofia, que
distribuía o açúcar com uma precisão cirúrgica, como se o destino da família dependesse
da quantidade de sacarose na xícara. O noivo, um rapaz de boas intenções e pouco
dinheiro, gaguejava sobre o custo de vida, enquanto o pai de Sofia, o conselheiro, fingia
ler o jornal, mas na verdade contava, mentalmente, a fortuna que o genro esperava herdar.
Não havia amor ali, apenas uma transação elegante, disfarçada de casamento por
conveniência. Sofia sorriu, um sorriso vazio, e o conselheiro baixou o jornal para
confirmar com o olhar se a herança estava garantida. Era o retrato da sociedade
fluminense da época: tudo era fachada, tudo era superfície. O noivo agradeceu o café, o
pai assentiu com a cabeça, e a escravidão, ainda latente na casa, era esquecida, escondida
nas costas da mulata que servia a mesa em silêncio. A vida passava, lenta e mentirosa,
sobre aquela mesa, enquanto a fome e a pobreza batiam à porta, ignoradas. Dona
Constança suspirou, o conselheiro tossiu, e a verdade, essa velha senhora, ficou esperando
na sala de espera do tempo, enquanto o casal se amava... de boca para fora."
(Texto gerado por IA em 24 jan. 2026.)
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