Considere a letra da canção Trem das Cores (Caetano Veloso, 1982):
“A franja da encosta cor de laranja, capim rosa-chá
O mel desses olhos luz, mel de cor ímpar
O ouro ainda não bem verde da serra, a prata do trem
A Lua e a estrela, anel de turquesa
Os átomos todos dançam, madruga, reluz neblina
Crianças cor de romã entram no vagão
O oliva da nuvem chumbo ficando pra trás da manhã
E a seda azul do papel que envolve a maçã
As casas tão verdes e rosa que vão passando ao nos ver passar
Os dois lados da janela
E aquela, num tom de azul quase inexistente, azul que não há
Azul que é pura memória de algum lugar
Teu cabelo preto, explícito objeto, castanhos lábios
Ou, pra ser exato, lábios cor de açaí
E aqui, trem das cores, sábios projetos: Tocar na Central
E o céu de um azul-celeste, celestial”
Agora, analise as afirmações abaixo à luz da psicologia das cores e do conceito de acorde cromático.
I. “Oliva/chumbo” tende a formar um acorde mais tenso, frio e pesado do que “laranja/rosa-chá”, frequentemente associado a energia, calor e alegria.
II. A menção ao par “verde e rosa” pode ser interpretada como exemplo de leitura cromática contextual e cultural, uma vez que evoca significados além do aspecto físico da cor.
III. O texto sugere que o efeito das cores é universal e imutável, e independe de cultura ou contexto, o que corresponde ao conceito de acorde cromático.
IV. Ao transformar cores em imagens poéticas (“azul que não há”, “cabelo preto, lábios cor de açaí”), a canção reforça a ideia de que a percepção cromática envolve tanto dimensões emocionais quanto culturais.
Está correto o que se afirma em: