Não Coma Sozinho: Fazer Refeições Acompanhado É
Fundamental para a Saúde Mental
As gerações mais velhas como a minha cresceram em
torno de uma mesa. Reunir a família para o jantar e o
almoço de domingo era a oportunidade perfeita para
colocar uma conversa em dia e, por que não, discutir
também. Não importa se a briga era por alguma
bobagem ou algo mais sério. O que se via entre garfadas
era uma interação genuína. Essa dinâmica mudou
radicalmente. A popularização das redes sociais
transformou a forma como nos relacionamos.
Dados globais nos indicam que cada vez mais pessoas
fazem suas refeições sozinhas, uma realidade que não
apenas confirma o crescimento da solidão no mundo
contemporâneo, mas também sinaliza o
desaparecimento progressivo de rituais sociais que, no
passado, eram fundamentais para a saúde mental .
A vem ciência nos lembrar o poder desses figurinos. Um
levantamento recente vem nos relembrar de que
compartilhar a mesa com outras pessoas é um dos
maiores indicativos de bem-estar. O Relatório Mundial da
Felicidade de 2025 , realizado pela Gallup , coloca esse
hábito em um patamar de importância elaborada ao de
ter boa renda e bom emprego.
A tradição de comer junto vem de longe. Desde os
primeiros hominídeos, a partilha da caça no fim do dia e,
depois, o comer junto ao redor do fogo, foi uma forma de
fortalecer os laços sociais, um elemento tão essencial
para a sobrevivência do grupo no passado quanto é para
a nossa saúde emocional hoje.
A ciência nos traz outras evidências claras do que estou
falando: refeições compartilhadas estimulam o cérebro a
liberar substâncias e a ativar vias ligadas ao bem-estar, à
confiança e ao prazer. Durante esses momentos, nos
sentimos mais conectados, mas também mais relaxados.
Pessoas que dividem a mesa com outras relatam se
sentirem melhor consigo mesmas e mais próximas
daquelas com quem compartilham a refeição. O jantar ,
em particular, parece ser o momento mais impactante.
É depois do expediente, quando a socialização é mais
necessária, que a solidão se torna mais pesada para
aqueles que não têm uma rede de apoio e se veem
obrigados a comer sozinhos. Geralmente, é no jantar
que compartilhamos os desafios e as vitórias do nosso
dia a dia, fortalecendo a conexão com quem está ali para
nos ouvir.
A importância de dividir a mesa se estende a todas as
idades. Para os idosos, apontam estudos, fazer uma
refeição em grupo é um remédio contra a solidão,
ajudando-os a experimentarem maior bem-estar.
https://forbes.com.br/colunas/2025/10/dr-arthur-guerra-nao-coma-sozinho-fazer-refeicoes-acompanhado-e-fundamental-para-a-saude-mental/