O poeta Paulo Leminski, habitualmente, é visualizado como um representante da tendência contemporânea da
poesia marginal. No entanto, além de se filiar a essa estética, Leminski transitou por outros movimentos como
a poesia concreta e o tropicalismo. Esse último movimento firmou uma forte relação do artista curitibano com a
música popular brasileira. Em decorrência disso, Leminski compôs diversas canções que hoje fazem parte do
repertório de artistas conhecidos da MPB. Na música, um dos principais parceiros de Leminski foi o compositor
Moraes Moreira. Juntos, eles compuseram a canção Pernambuco “meu”, lançada no álbum de Moraes Moreira
Coisa acesa, de 1982, e reproduzida a seguir.
Pernambuco “meu”
(Paulo Leminski)
Um frevo em ré
Pra deixar você fora de si
Não tem
Frevo de fé
Como lá, feito lá em Recife
Ninguém
Cidade velha e bonita
Assim já nem há
Já tá pra lá
Bem pra lá de maduro
O araçá
O que é que há meu bem
O que haverá não sei
Essa é a lei
Virá, virá
Repouso em ré
Nessa pauta e por falta
De assunto escrevo
Oh, minha Dora me adora
Dorinha, rainha do frevo
Um frevo em fá
Bem falado pra ser
Chamuscado ao Sol
Não tenha dó
Natural sustenido ou bemol
Não tenha dó de mim
Vai ser pior assim
Não tenha dó de mim
Vai ser pior assim
Não tenha dó
Vai ser pior
Pernambuco, eu te quero
Não me deixe maluco
Pernambuco, eu espero
Que eu nunca fique caduco
Disponível em: https://open.spotify.com/intlpt/track/6704THmXZvRbxVI8u3K1o1?si=c417125d8e0a430a. Acesso em: 20 ago. 2025.