TEXTO PARA A QUESTÃO.
Somos feitos dessa escrita imperfeita que se renova a cada
dia
Entre um pensamento e outro, os sentimentos se
movimentam serenamente... O que sentimos nos preenche, ao
ponto de termos que ser seletivos... Viver é ser capaz de não
perder de vista o ideal... Traçamos metas e formulamos
objetivos: nossos sonhos querem alcançar a realidade... Feliz
dia!
A vida merece ser escrita. Viver é construir uma história
de vida. Os registros são muitos e diversificados. Entre altos e
baixos, vamos tecendo a nossa teia existencial. É claro que
algumas rasuras vão aparecer. O importante é encontrar-se
com a superação. Olha só: um caderno cheio de páginas em
branco jamais terá o mesmo valor que aquele que já carrega
marcas, borrões e correções. Somos feitos dessa escrita
imperfeita que se renova a cada dia.
Há momentos em que nos enganamos na escolha das
palavras, em que os caminhos se mostram precipitados e em
que o arrependimento deixa suas marcas como riscos em uma
folha. Mas até mesmo esses sinais de falha são preciosos,
porque revelam nossa coragem de tentar. Viver é lidar com o
que não deu certo sem deixar que isso roube nossa capacidade
de continuar escrevendo.
Entre rasuras e recomeços, vamos descobrindo que não
precisamos apagar tudo para começar de novo; basta escolher
sublinhar o que ainda é belo, o que ainda nos dá força. O
encanto não surge de uma narrativa perfeita, mas da decisão
de enxergar beleza mesmo quando a linha não ficou reta,
mesmo quando a frase não saiu como planejado. Encantar-se,
nesse sentido, é mais do que um estado de espírito: é um
exercício de fé.
É a confiança de que, mesmo em meio a páginas
manchadas, ainda há espaço para frases luminosas. O lamento
pode até fazer parte do texto, mas não deve ocupar o título da
história. É preciso coragem para riscar o que não serve mais,
desprender-se da dor que insiste em ocupar espaço e dar
protagonismo ao que nos faz acreditar de novo. O encanto é
essa força discreta que sustenta, que dá cor às páginas e que
nos devolve a certeza de que vale a pena continuar.
Se cada dia é uma nova oportunidade de reescrever,
também é um convite para amadurecer, para aceitar que a
perfeição não existe e que a beleza mora justamente na
imperfeição. No fim, não será a quantidade de lamentos que
contará, mas os encantos que escolhemos sublinhar ao longo
do caminho.
Autor: Jaime Bettega - Pioneiro (adaptado).
I. A metáfora do caderno com rasuras simboliza a vida marcada por erros, mas também por aprendizados e superações.
II. O texto valoriza a perfeição absoluta como ideal de existência, rejeitando os erros como parte da caminhada.
III. A presença de borrões e falhas é descrita como elemento essencial para dar sentido e autenticidade à vida.
Está correto o que se afirma em:
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