Para responder às questões 01 a 08, leia o texto abaixo.
O tempo (não) para
- Existe algo curioso e ligeiramente engraçado no
- fato de adultos estarem viciados em livros de colorir.
- Se antes os desenhos fofos e divertidos eram restritos
- às crianças e seus lápis de cor, a destruição silenciosa
- da saúde mental nos últimos anos tem nos feito
- recorrer ao óbvio: tem vezes que voltar ao início é
- fundamental para que possamos seguir existindo.
- Quando eu era criança, saíamos para jantar e
- meus pais levavam junto um estojo com lápis e
- canetinha. Eu me debruçava sobre os papéis de mesa
- e rabiscava a noite toda, feliz da vida. Hoje, vemos "o
- futuro repetir o passado": nos últimos meses, só os
- livros da marca Bobbie Goods (os mais conhecidos e
- responsáveis pelo fenômeno atual) venderam mais de
- 150 mil exemplares apenas no Brasil.
- Algo semelhante foi observado 10 anos atrás,
- quando os livros de colorir dominaram as prateleiras
- e rapidamente viraram febre. Se na década passada
- eles impulsionaram a venda dos lápis de cor, agora
- são as canetinhas de cores vibrantes que
- acompanham o hobby criativo que tem salvado a rotina
- de muitos adultos.
- O paralelo, aliás, vai além: também estamos
- repetindo o passado ao perceber que esse resgate do
- "eu" tem sido urgente. De alguma forma, tem sido
- necessário revisitar os tempos em que tudo parecia
- mais simples e bonito — tal qual colorir uma página em
- branco. Em 2010, os desenhos eram flores e jardins.
- Agora deram espaço a ilustrações aconchegantes,
- nostálgicas de ursos e bichinhos vivendo pequenas
- alegrias do dia a dia. É mais que uma válvula de
- escape para o caos moderno — é uma forma de
- reduzir o ruído interno, estimular a atenção plena e
- aliviar a ansiedade
- A metáfora, aqui, estende-se por uma vida toda.
- Voltamos aos primeiros anos não só em busca de
- reconforto, mas também na tentativa de colorir a
- própria apatia do mundo em que temos vivido. Assim,
- nos debruçamos em cores vívidas porque tem nos
- faltado o bruto, o pessoal, o feito ____ mão, o rabisco,
- o poético. Não ___ toa, enquanto escritor, meus livros
- mais vendidos são aqueles que escrevo ___ próprio
- punho, abrindo uma porta para a imersão de um leitor
- que tem estado em extinção. Aliás, quem é que não
- tem se sentindo assim ultimamente?
- É, Cazuza... o tempo não para. Mas às vezes, a
- gente precisa e acaba parando (nem que seja para
- colorir). Menos mal.
Autor: Pedro Guerra — GZH (adaptado)
Em tem vezes que voltar ao início é fundamental para que possamos seguir existindo (l.6- 7), o autor utiliza a expressão voltar ao início em sentido figurado. Com base no contexto do texto, essa expressão remete principalmente: