Leia o texto para responder à questão.
Um país de escolas inseguras não tem futuro
Quem reconhece que a educação é a base de tudo, na
certeza de que tal premissa vai muito além de um mantra superficial sem amparo
na realidade, sabe que a instituição escolar, se boa e bem estruturada, é a
garantia mínima de acesso a chances reais para cada indivíduo e, em
consequência, para o Brasil. A escola é o locus da formação
intelectual e social de crianças e adolescentes, imprescindível para formar uma
nação desenvolvida, digna e sustentável. Sendo assim, imagine-se o que
significa para o Brasil quando grande parte dos jovens estudantes enxerga a
escola não como um ambiente de aprendizado, convívio, respeito, valorização e
crescimento pessoal, e sim um lugar de incerteza e insegurança. É uma tragédia
silenciosa e inconcebível.
Pois sabe-se agora, graças a uma pesquisa realizada
pelo Ministério da Educação (MEC), que quase metade dos alunos do 8º e do 9º
ano do ensino fundamental da rede pública diz não encontrar um ambiente seguro
na escola. Conforme avança a idade dos estudantes, reduz-se a percepção de que
a escola é um espaço de aprendizado, acolhimento, socialização e participação.
Há duas frentes centrais de preocupação inspiradas
pelos números dessa pesquisa: primeiro, a ideia de uma escola segura stricto
sensu, visão em grande medida maculada por contextos de violência
(doméstica ou na comunidade escolar), bullying, discriminação,
gravidez precoce, falta de vagas, problemas de transporte e questões de saúde;
segundo, o tipo de escola pública, por vezes desinteressante, que estamos
oferecendo aos nossos adolescentes.
O Brasil universalizou o ensino fundamental só nos
anos 1990, desde então continua a expandir lentamente a educação na pré-escola
e no ensino médio, e não só patina no freio à evasão escolar como ainda está a
anos-luz do que seria o ideal para ofertar uma escola atraente para a formação
de um adolescente. Isso passa por currículos atualizados, estrutura adequada,
qualidade dos serviços prestados e cumprimento mais pleno dos objetivos de
desenvolvimento e aprendizado. Convém sublinhar que a necessidade de adequar
melhor a escola aos novos contextos de vida dos jovens estudantes não significa
fazer concessões a modismos pedagógicos e políticas demagógicas, e sim ajustar
currículos e práticas escolares e tornar os gastos no setor mais produtivos,
mediante aprimoramento da formação de professores.
A pesquisa ilustra outros caminhos, como convivência,
inovação e participação dos alunos. É eloquente, por exemplo, o reconhecimento
do papel das disciplinas tradicionais para ajudá-los no desenvolvimento para a
vida. Mas, antes de tudo, é um convite à ação, num país onde um a cada cinco
jovens não conclui a educação básica, para que cuidemos melhor desse momento
tão difícil de transição da infância para a adolescência.