'Acham que temos que esperar a morte', diz diretora
de Livros Restantes , filme que desafia o etarismo
Filme retrata aposentada que redescobre vida viajando,
valoriza diversidade catarinense e celebra cinema
nacional
O novo filme estrelado pela atriz Denise Fraga, Livros
Restantes , parte da pergunta: "Existe idade para parar
de viver?". A provocação acompanha a personagem Ana
Catarina, uma mulher aposentada que decide deixar a
cidade onde viveu a vida inteira para viajar, como explica
a diretora Márcia Paraíso. Para ela, a história confronta o
etarismo e a forma como a sociedade tenta limitar a
existência das mulheres.
"Existe essa coisa da sociedade, do etarismo, de achar
que chegamos em um momento em que temos que
esperar a morte chegar, ou que determina um espaço
para nós, ou que deixamos de ser visíveis. Esse lugar
que nos colocam, especialmente as mulheres", afirma
[...].
Na produção, antes de partir, Ana Catarina toma uma
decisão inusitada: devolver os livros que ganhou de
amigos décadas atrás. Algumas dedicatórias ainda
preservavam significado; outras, não mais. Fraga conta
que o roteiro a tocou profundamente. "O Livros
Restantes parece que chegou pra mim como um carimbo
de maturidade também, de coisas que eu tenho
pensado. Eu vejo lá esse poder que o cinema tem, horas
em que eu estou servindo a personagem, mas estou
completamente ali dentro", relata.
Quase todo o longa foi filmado na Barra da Lagoa, em
Florianópolis, um território pesqueiro e ponto recorrente
da obra de Paraíso. A diretora destaca o desafio de
retratar Santa Catarina para além dos estereótipos de
um estado "rico, branco e conservador".
"Eu tinha muito preconceito com o estado porque o que
eu conhecia de Santa Catarina era o que me venderam
sobre Santa Catarina. Mas é o estado da Antonieta de
Barros [primeira mulher negra brasileira a assumir um
mandato popular]; onde o Movimento [dos Trabalhadores
Rurais] Sem Terra é extremamente organizado; produziu
um poeta como Cruz e Sousa. Eu gostaria muito que o
filme fosse um respiro sobre uma Florianópolis, que tem
uma cultura muito peculiar, um jeito de dizer que o Brasil
não conhece", explicou.
O elenco conta também com o ator Augusto Madeira,
que celebra o momento do audiovisual brasileiro após
anos de retrocessos. "[...] Ainda precisamos melhorar,
mas estamos muito mais fortes. Então, isso nada mais é
que o reflexo de anos e anos de uma política cultural
incentivada, contínua", avalia.
Fraga acrescenta, por fim, que "o cinema é, para um
país, o maior veículo de comunicação daquela cultura, daquele país para o mundo. Eu nunca fui para a China,
toda a China que eu sei dentro de mim é pelo cinema. O
cinema é o veículo de uma nação. Ele é uma coisa muito
impressionantemente eficaz nesse sentido de ter a
identidade de uma nação".
(Disponível em:
https://www.brasildefato.com.br/2025/12/05/acham-que-temos-que-esp
erar-a-morte-diz-diretora-de-livros-restantes-filme-que-desafia-o-etaris
mo/. Acesso em: 05 dez. 2025. Adaptado.)
(__)Em "O Livros Restantes parece que chegou pra mim como um carimbo de maturidade [...]", tem-se uma elipse, figura de linguagem que consiste na omissão de um termo que o contexto ou a situação permitem facilmente identificar.
(__)Em "Algumas dedicatórias ainda preservavam significado; outras, não mais.", tem-se uma outra manifestação da elipse que é a zeugma, a supressão de um termo já expresso no enunciado anterior.
(__)Em "Eu gostaria muito que o filme fosse um respiro sobre uma Florianópolis, que tem uma cultura muito peculiar, um jeito de dizer que o Brasil não conhece", a palavra "respiro" constitui uma metáfora, produzindo o sentido de "folga, trégua".
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta:
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