A geografia escolar possui uma história que está atrelada à própria historiografia da Geografia, esta entendida como campo de
conhecimento que se constituiu como ciência e disciplina escolar. A geografia tradicional, também conhecida como geografia
moderna, fundamentou-se no método positivista. De acordo com o positivismo, a análise da realidade deve ser reduzida à
aparência dos fenômenos, abarcando somente os aspectos visíveis, concretos. Por sua vez, a geografia pragmática buscou uma
atualização apenas da forma, e não do conteúdo da corrente tradicional. Já a geografia quantitativa pautou-se nos métodos
matemáticos para explicar a realidade. Reduziu a análise das relações entre os elementos da paisagem como relações meramente
quantitativas. A geografia crítica dedicou-se a analisar a relação entre a sociedade e a natureza na produção do espaço geográfico.
Dessa maneira, diferentemente do pensamento anterior, considerou a realidade como mutável, dinâmica e em permanente
movimento. No ensino, essa corrente esteve presente através da ênfase dada à construção do espaço permeado de tensões,
conflitos e contradições. A geografia humanista, calcada especialmente na fenomenologia, também apresentou crítica ao
positivismo lógico que embasou a geografia moderna e quantitativa. Essa linha do pensamento geográfico se interessou pelos
indivíduos e suas experiências no mundo.
MENEZES, V. S. A historiografia da geografia acadêmica e escolar: uma relação de (des)encontros.
Geographia Meridionalis, n. 2, dez. 2015 (adaptado).