O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Por Que o Câncer de Pulmão Deixou de Ser Apenas
"Coisa de Fumante"
O câncer de pulmão, tradicionalmente associado ao
tabagismo, tem apresentado um perfil de pacientes em
transformação nas últimas décadas. Hoje, a doença
afeta mais mulheres, pessoas mais jovens e também
aquelas que nunca fumaram, revelando novos fatores de
risco que ultrapassam o hábito de fumar o cigarro
comum. Entre eles, destacam-se o uso crescente de
cigarros eletrônicos e a exposição à poluição.
Os dispositivos eletrônicos, cada vez mais comuns
especialmente entre jovens, liberam aerossóis com
múltiplas substâncias potencialmente tóxicas. Estudos
recentes identificaram, inclusive, níveis elevados de
metais pesados e outras toxinas em dispositivos
descartáveis, o que preocupa especialistas e órgãos de
vigilância sanitária, dada a falta de padronização e
controle desses produtos, cuja venda é proibida no
Brasil.
Outro fator que ajuda a explicar o surgimento do câncer
de pulmão em não fumantes é a poluição atmosférica,
sobretudo as partículas finas e poluentes provenientes
do tráfego de veículos automotores. Pesquisas
europeias mostraram uma associação consistente entre
a exposição crônica a esses poluentes e o aumento da
incidência de câncer de pulmão, efeito que também é
observado entre pessoas que nunca fumaram, tema
abordado em artigo publicado neste espaço em 2023.
Do ponto de vista clínico e de saúde pública,
compreender esse novo perfil do câncer de pulmão leva
a duas prioridades: a necessidade de ampliar as políticas
de controle do tabaco para incluir dispositivos
eletrônicos, com regulamentações e fiscalizações mais
rigorosas, e a integração da qualidade do ar e da
exposição ocupacional nas estratégias de prevenção,
por meio do monitoramento ambiental e de ações para
reduzir emissões em áreas urbanas. Essas iniciativas
têm o potencial de proteger populações inteiras e reduzir
a carga da doença a médio prazo.
Apesar da mudança no perfil epidemiológico, vale
destacar que o câncer de pulmão ainda é, em grande
parte, evitável. A combinação entre tabagismo
tradicional, novos produtos eletrônicos e poluição do ar
explica a evolução da doença, reforçando a urgência de
ações coordenadas para frear essa tendência e proteger
as gerações futuras.
https://forbes.com.br/forbessaude/2025/08/por-que-o-cancer-de-pulmao
-deixou-de-ser-apenas-coisa-de-fumante/