TEXTO 1
A razão é que uma relativa intensificação das forças produtivas
já não representa eo ipso um potencial excedente e com
consequências emancipadoras, em virtude do qual entrem em
colapso as legitimações de uma ordem de dominação vigente.
Pois agora, a primeira força produtiva, a saber, o progresso
técnico-científico submetido a controle, tornou-se o fundamento
da legitimação. Esta nova forma de legitimação perdeu, sem
dúvida, a velha forma de ideologia. A consciência tecnocrática
é, por um lado, “menos ideológica” do que todas as ideologias
precedentes; pois não tem o poder opaco de uma ofuscação que
apenas sugere falsamente a realização dos interesses. Por outro
lado, a ideologia de fundo, um tanto vítrea, hoje dominante,
que faz da ciência um feitiço, e mais irresistível e de maior alcance
do que as ideologias de tipo antigo, já que com a dissimulação
das questões não só justifica o interesse parcial de dominação
de uma determinada classe e reprime a necessidade parcial de
emancipação por parte de outra classe, mas também afeta o
interesse emancipador como tal do gênero humano.
HABERMAS, J. Técnica e ciência como ideologia.
Lisboa: Edições 70, 1968 (adaptado).
TEXTO 2
Há centenas de narrativas de povos que estão vivos, contam
histórias, cantam, viajam, conversam e nos ensinam mais do que
aprendemos nessa humanidade. Nós não somos as únicas pessoas
interessantes no mundo, somos parte do todo. Isso talvez tire um
pouco da vaidade dessa humanidade que nós pensamos ser, além
de diminuir a falta de reverência que temos o tempo todo com as
outras companhias que fazem essa viagem cósmica com a gente.
KRENAK, A. Ideias para adiar o fim do mundo.
São Paulo: Cia. das Letras, 2019