Homem de 52 anos em acompanhamento oncológico por
adenocarcinoma de cólon estadio IIIB tratado com ressecção
cirúrgica há 18 meses e quimioterapia adjuvante concluída há
12 meses, atualmente em remissão com marcadores tumorais
normais e tomografia de controle recente sem evidências de
recidiva tumoral ou metástases. Durante o tratamento
quimioterápico, iniciou uso de morfina de liberação prolongada
para controle de dor abdominal relacionada ao procedimento
cirúrgico e toxicidade gastrointestinal da quimioterapia. Após
conclusão da quimioterapia, manteve uso de morfina para
controle de dor abdominal crônica relacionada a aderências
pós-operatórias, com dose estável de 30 mg a cada 12 horas por
quatro meses. Nas últimas 16 semanas, apresentou escalada
progressiva da dose de morfina, atualmente em 240 mg a cada
12 horas, sem obtenção de analgesia satisfatória. Retorna ao
ambulatório referindo piora paradoxal da dor abdominal apesar
dos aumentos sequenciais de dose nas últimas consultas,
descrevendo a dor atual como difusa, mal definida, com
irradiação para região lombar bilateral e membros inferiores,
diferentemente da dor localizada original. Relata que pequenos
estímulos táteis na parede abdominal desencadeiam desconforto
desproporcional. Refere também redução da frequência
evacuatória, passando de evacuações diárias para evacuações a
cada dois a três dias com fezes endurecidas, mas sem parada
completa de eliminação de flatos ou fezes. Nega náuseas,
vômitos, distensão abdominal progressiva, febre, perda ponderal
recente ou outros sintomas sistêmicos. Ao exame físico:
IMC 24 kg/m²,
lúcido
e
orientado,
pressão
arterial
118 x 76 mmHg, frequência cardíaca 72 bpm, eupneico. Abdômen
globoso, ruídos hidroaéreos presentes e normais, timpânico à
percussão, indolor à palpação superficial mas com hiperalgesia
tátil difusa à palpação mais profunda sem defesa ou sinais de
irritação peritoneal, sem massas ou visceromegalias palpáveis.
Exame neurológico dos membros inferiores com sensibilidade
preservada mas com resposta exagerada a estímulos dolorosos
leves. Exames laboratoriais recentes: hemograma completo
normal, função renal e hepática normais, eletrólitos normais,
antígeno carcinoembrionário 2,8 ng/mL (VR: menor que
5,0 ng/mL). Radiografia simples de abdômen com distribuição
gasosa normal, presença de fezes em cólon descendente e
sigmoide sem dilatação de alças e ausência de níveis hidroaéreos.
A conduta apropriada para o manejo dessa condição é:
A conduta apropriada para o manejo dessa condição é: