O impacto de uma dieta cariogênica sobre as
condições dentárias foi registrado em Casa Grande &
Senzala, obra-prima do sociólogo Gilberto Freyre (1933).
Nela, Freyre refere-se às condições de nutrição no Brasil
colonial: “Má nos engenhos e péssima nas cidades, tal era a
alimentação da sociedade brasileira nos séculos XVI, XVII e
XVIII. Nas cidades, era péssima e escassa.”.
A monocultura da cana-de-açúcar, feita em grande
escala na Bahia, no Maranhão e em Pernambuco, concorreu
para uma alimentação deficiente e que predispunha a
doenças. Segundo o autor, nem carne de vaca nem de
carneiro nem mesmo de galinha. Nem frutas nem legumes;
que legumes eram raros na terra, e frutos quase que só
chegavam à mesa já bichados ou então tirados verdes
para escaparem à gana dos passarinhos, dos tapurus e
dos insetos. A carne que se encontrava era magra, de
gado vindo de longe, dos sertões, sem pastos que o
refizessem da penosa viagem, porque as grandes lavouras
de cana-de-açúcar ou de tabaco não se deixavam manchar
de pastos para os bois descidos dos sertões e destinados
ao corte. Bois e vacas que não fossem os de serviço eram
como se fossem animais danados para os latifundiários.
Os colonos mandavam vir de fora muitos alimentos, quase
sempre em conserva e de pouco valor nutritivo.
Referindo-se a Salvador (BA), capital do Brasil
colonial, de 1549 a 1763, a cidade dos vice-reis, habitada
por muito ricaço português e da terra, cheia de fidalgos e
de frades, Freyre afirma que se notabilizou pela péssima
e deficiente alimentação. Tudo faltava: carne fresca de
boi, aves, leite, legumes, frutas, e o que aparecia era da
pior qualidade ou quase em estado de putrefação. Fartura
mesmo só a de doce, geleias e pastéis fabricados pelas
freiras nos conventos: era com que se arredondava a
gordura dos frades e das sinhás-donas.
Freyre, ao comentar o tema, relata que o médico
sueco Gustavo Beyer ficou impressionado com o que viu,
ao adentrar o interior do Brasil. Viajando nos arredores
de Itu, conforme o médico, era impossível não se notar
que toda a gente da classe baixa tinha os dentes incisivos
perdidos pelo uso constante da cana-de-açúcar que, sem
cessar, chupa e conserva na boca em pedaços de algumas
polegadas. Quer em casa, quer fora dela, não a larga. A
classe superior gosta igualmente de doce. E, para que não
paire qualquer dúvida sobre o significado da cana-de-açúcar
no cotidiano alimentar do período, os animais de carga
também participam da mesma inclinação. Encontram-se
eles tal qual seus condutores, mastigando cana.
Internet: <www.sicelo.com.br> (com adaptações).
A respeito das ideias apresentadas no texto, julgue o item a seguir.
Depreende-se do texto que a precariedade da alimentação e da nutrição da população do período citado era maior na zona rural, dado que a importação de alimentos era limitada e a produção local não supria as necessidades da população.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Agente Fiscal
120 Questões
Auxiliar Administrativo
120 Questões