Leia o texto a seguir para responder à questão:
Longe de mim querer matar você de inveja, mas dias
atrás cravei os dentes numa coxinha de camarão com requeijão. Numa, não; em três. E saiba que o “inha”, aí, não
é diminutivo, é tratamento carinhoso, da parte de quem por
13 anos esteve privado dessa rechonchuda maravilha.
Bobagem minha: para morrer de inveja, você precisaria
saber o que vem a ser uma coxinha de camarão com requeijão. Falo da legítima, da única, que existiu em Belo Horizonte durante pouco mais de 20 anos, até desaparecer, no ano
de 1998.
Nunca me conformei com o sumiço do pitéu com que me
regalei décadas a fio, toda vez que minhas papilas gustativas
visitavam a capital mineira. Alguns meses atrás, numa crônica que publiquei, escrevi logo no título: “Saudade da coxa de
requeijão.” Na última linha, joguei sem maior esperança uma
garrafa ao mar: “Tem por aí alguma pessoa que faz?”
Pois não é que apareceu uma? E não qualquer pessoa:
ninguém menos que Thereza Oliveira, a inventora da supracitada perdição gastronômica. De Tiradentes, para onde se
mudou faz uns anos, ela ergueu um dedo, olha eu aqui!, e
deixou no ar a tentação: que eu fosse aplacar a saudade da
coxinha de camarão com requeijão.
Quis a sorte que recentemente me viesse convite para
lançar um livro ali, e quando escrevi a Thereza para dizer
que estava a caminho, ela anunciou a coincidência: eu ia me
hospedar ao lado de seu charmoso mocó tiradentino − num
alto de morro onde de uns anos para cá se construíram várias
casas “antigas”. Lá fui bater, salivando, mal pus a mala na
pousada.
Além de três formidáveis coxas de requeijão, Thereza me
serviu a história do fabuloso salgado por ela concebido. Seu
irmão Pedro morava no Rio e, nas confeitarias, achava constrangedor ter que pedir um monte de salgadinhos para matar
a fome − será que não dava para fazer um salgadão? Thereza, primeiro, foi de peito de frango, que teve a ideia inédita de
revestir de requeijão − até que lhe viesse a ideia melhor ainda
de trocar o frango pelo camarão.
(Humberto Werneck. Esse inverno vai acabar, 2011. Adaptado)
Provas
Questão presente nas seguintes provas